Um review do Milwaukee Eight e a comparação com TC 103

Boa noite,  Amigos!

Embora já tenha visto pessoalmente e ouvido o novo motor Milwaukee-Eight, não tive oportunidade, enquanto no Texas, de pilotá-las.

Agora com os modelos chegando aos dealers brasileiros, alguns já disponibilizam a frota a clientes e membros do HOG, como é o caso da Tennessee em Campinas.

O amigo Paulo Papito teve a oportunidade de fazer um Test Ride e fez o mesmo trajeto com a sua Ultra Limited Rushmore com o Twin Cam 103.

Li muitos reviews na imprensa americana, nenhum comparativo com o TC…e acredito que o texto que vocês lerão a seguir é, provavelmente o review mais completo e uma justa comparação. Este texto foi publicado na timeline do Papito e reproduzo aqui com autorização dele. – Segue abaixo:

A nova Ultra Milwaukee-Eight 107

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O teste de hoje se dividiu em três partes: o antes, o durante e o depois. Isso porque saí de casa e fiz, com a minha Marilyn, uma parte do trajeto que faria com a nova Ultra, reparando atentamente no comportamento dela.
Depois, o teste propriamente dito.
Por fim, o pós-teste, quando repeti parte do trajeto com a minha moto, para comparar outra vez.
E ainda bem que fiz assim, porque a gente logo se acostuma com o que é melhor e tende a se esquecer do que era antes. De modo que a comparação em três etapas foi decisiva para a melhor avaliação.
Dito isto, vamos por partes.
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1. O som
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Comecemos pelo mais simples: o som que a gente escuta.
Todo mundo já falou sobre o silêncio do motor, sem aquele cling-clan-clung, sem a bateção das peças móveis. É verdade. E muita gente já registrou que o som do novo escape original se parece muito com um esportivo comportado: grosso, encorpado, agradável sem ser incômodo. Mas nem todo mundo pode ter reparado que o novo motor não gorgoleja mais nas saídas em primeira marcha, principalmente quando o sistema de resfriamento das Rushmore desativa o cilindro traseiro. Eu gosto desse gorgolejar, que imagino ser semelhante ao barulho que faria uma baleia fazendo gargarejo. Mas muita gente não gosta. Para quem gosta ou não gosta, ele sumiu. Como também sumiu aquele grilo que cricrilava quando a gente acelerava um pouco com a moto parada: aquele criiiic, quando a gente tirava a mão.
Isso se deve não só ao novo motor, mas principalmente aos novos escapes. Nas Rushmore, os dois escapes têm dimensão diferente. O direito sopra quente e o esquerdo sopra frio. Quando se acelera e desacelera há uma válvula que dirige mais ar para o secundário. Por isso o barulho das tourings muda tanto de uma hora para outra. Meu amigo Adriano Marques, por exemplo, adora o momento em que se abre o segundo escape, e o ronco engrossa.
Na nova Ultra é tudo diferente: os escapes são iguais e não há mais a tal válvula cri-cri. Por isso o ruído é tão especial: ouvem-se os dois escapes e não um depois o outro. E por isso talvez não haja o tal gorgolejar de saída.
Andando, como o motor não faz barulho de peças soltas, o som do escape é muito agradável. Muito mesmo. Melhor do que o de qualquer outro que eu tenha ouvido, esportivo ou não.
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2. O calor
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Som e calor são duas características das Harleys. Um para o bem, outro para o mal. Pois então saibam que o calor acabou do lado esquerdo do motor. E para que não digam que exagero ou minto, convoco aqui o testemunho do Paulo Barretto, a quem pedi para pôr a mão junto ao lado esquerdo do motor, depois do teste. Já do lado direito, não tem jeito: embora tenham deslocado um pouco a saída do escape do cilindro da frente, os dois canos fumegantes exalam seu calor. Que não é grande, porém. É mais ou menos igual, apenas um pouco mais fresco, do que os da Rushmore. Ou seja, para uma Harley (ou uma Indian, pelo que dizem), ótimo.
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3. O motor
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O motor é a estrela do espetáculo, sem dúvida. Embora eu ache que a suspensão nova seja uma concorrente à altura pelo estrelato.
A primeira coisa que se sente ao pilotar é a força, o torque. O melhor do motor é por volta de 4000 giros ou pouco mais. Nessa rotação, o toque no acelerador é respondido imediatamente com um impulso para a frente. É realmente notável! E é uma fonte de prazer sentir e abusar do torque poderoso.
Depois, a maciez do funcionamento, a distribuição da força. Em tudo, esse motor é superior ao da Rushmore. Tanto que a gente tem a impressão de que as marchas são mais curtas. Paulo Barreto também teve a mesma impressão. Mas é uma questão de torque, porque fui ver na ficha técnica e a relação das marchas é exatamente a mesma.
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4. A embreagem e o câmbio
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A embreagem é bem diferente. Mais macia. E os engates do câmbio são precisos. Muita gente vai sentir falta do estalido de engate da primeira, aquele traaaaack! famoso! Por outro lado, como o motor agora faz menos barulho, ou quase nada, a gente ouve o engate das demais marchas, em movimento. E inclusive a gente sente na embreagem – não sei se em todas as motos ou apenas nessa que testei – o engate, como um reflexo no manete. A cada mudança, eu tinha uma resposta no manete, quase como um retorno. O que não era desagradável, mas era pouco usual e me chamava sempre a atenção.
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5. Os freios
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Netto Mattos me disse que os freios são idênticos aos da Rushmore. Mas não parecem iguais aos da Marilyn. Na Marilyn, se eu meto o pé com força no freio traseiro ele trepida, quando o ABS entra em ação. Se alicato o da frente, idem. Mas na do teste, não: várias vezes fiz a moto parar bruscamente, para ver o funcionamento dos amortecedores. E em todas ela o fez sem a trepidação do ABS: parou eficiente e suavemente. Pode ser porque esteja nova. Mas a minha, desde nova, tem o comportamento usual.
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6. A suspensão
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E aqui, finalmente, a outra estrela do dia: a suspensão traseira. Mudou tudo. Foi uma pena a escolha antiquada da rodinha para ajuste manual. Mas o resultado foi muito bom.
Quando a gente olha os amortecedores, tirando as bolsas da moto, é muito estranho: o da direita parece igual – na verdade, parece menor – do que o das Rushmore. É basicamente uma mola fina, com um amortecedor comum no centro. Já o da esquerda é outra coisa: um tolete robusto, enorme, com a regulagem de pressão. É um jeito diferente de resolver a questão do amortecimento traseiro.
Eu tenderia a pensar que o melhor seria que fossem ambos parrudos. E talvez isso eliminasse de vez a ainda persistente (embora menor) flutuação da frente. Mas como são já resultam num belo avanço em relação às Rushmore.
Pude ver isso em testes meio amalucados. Primeiro, quando saí da loja, passei sobre cada uma daquelas tampas afundadas que a gente tenta evitar quando sai em passeio do HOG. Depois, na pista, passei à toda sobre uma cabeceira de ponte, na qual eu já tinha sofrido com a minha moto. Por fim, escolhi delicadamente algumas depressões e buraquinhos.
E o resultado foi ótimo: a suspensão nunca bateu. A moto está firme. A traseira passa incólume pelos obstáculos. E acho que as garupas vão agradecer muito à Harley o melhoramento.
Mas como fui me acostumando, chegou um momento em que já achei que estava igual à Marilyn. A Marilyn, afinal, era também boa nos buracos. Era o que eu pensava. Por isso, deixando a moto nova, fiz o teste da terceira etapa: repeti o percurso dos trancos com a Marilyn. E então pude, pela prova definitiva que foram as batidas secas de fim de curso e a sensação de que a moto ia desmanchar no meio das minhas pernas (e olha que estava com 40 libras nos amortecedores de ar!), confirmar a primeira impressão: a suspensão melhorou imensamente.
O mesmo não posso dizer da suspensão dianteira, infelizmente. Ela afunda menos do que a da Rushmore, eu acho. E resiste melhor aos bumps. Mas a moto ainda shima. A frente parece muito leve. (O que, na verdade, não sei se é responsabilidade da frente, da traseira ou do balanço entre ambas).
É verdade que, como era teste, não fiz curvas como harleyro acostumado ao bamboleio, como faço com a minha. Isto é, deitando para fora da moto e ainda apoiando o peso no volante, para dar estabilidade. Fiz curvas inocentemente, inclinando juntamente o corpo e a moto. E ela shimou. Não tanto quanto a Marilyn, que shima e ao mesmo tempo rebola, mas shimou. Principalmente em velocidades acima de 140. Uma curva da D. Pedro, a 160 km/h, me avisou que era melhor não insistir. E não insisti.
Mas para o uso a que a moto se destina, que é um passeio tranquilo com garupa, a 130 km/h, está perfeita! E por que alguém, em sã consciência, faria curvas a 160 ou 170 km/h com uma Ultra? Não há nenhuma razão para isso… Embora eu goste de fazer…
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7. Um inconveniente só pra mim
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É só para mim, mas registro, porque tem o lado bom. O lado bom é que o acabamento cromado da moto, no que diz respeito aos escapamentos, é muito melhor: é mais envolvente. Não se vê o ferro escuro. Só o cromo. Mas isso, que é uma qualidade, é um defeito para algo que eu prezo muito: a minha marcha a ré. Embora ela pareça compatível, o cromo agora dá a volta no escapamento de forma a ocultá-lo e ressaltar o brilho, mas impedirá a instalação da ré, caso eu troque. O que constituirá uma grande perda: não de eficiência, mas de exibicionismo – pois a principal função da ré e poder provocar os amigos, estacionando de frente sempre que eles tiverem dificuldade de estacionar de ré…
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8. O balanço final
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Por tudo o que ficou dito, não devem restar dúvidas de que gostei muito da moto. Pode ser melhorada? Claro, como tudo nesta vida. E a leveza da frente é algo a aperfeiçoar.
Mas bem pesados os dados, não há dúvida: é um fantástico avanço em termos de performance e conforto. Embora possam achar que não, eu creio que a mesma diferença que houve – o mesmo salto – entre a linha 2013 e a Rushmore, repete-se agora. A impressão é semelhante: eu tive uma 2013, de que gostava muito. Quando experimentei a Rushmore, vi que passaria para um outro universo com ela. E agora creio que vai se repetir a história: o salto de qualidade é semelhante.
E considerando que o preço da moto, mesmo se instalarmos o rádio CB, é menor do que o praticado até há poucos meses para o modelo 2016, não há dúvida: a H-D fez um movimento de grande alcance, um lance de mestre.

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