O Futuro e o Passado – casando a tradição com a tecnologia

Na verdade, a ideia deste texto é dar um update num texto originalmente escrito em 2012…. se alguém quiser ler o texto de 2012 me avisem, que o publico novamente aqui.

Uma das grandes questões que muitos falam quando mencionam o nome HD é a respeito de tradição. De fato, por ter os seus 112 anos, há muito legado em seu passado que pode e deve ser aproveitado, mas ao mesmo tempo a companhia, como negócio, deve evoluir para poder atrair novos clientes. Isto sempre foi uma preocupação corrente, uma vez que no final da década de 90 a parcela de compradores de HD estava envelhecendo e a entrada de novos clientes não estava acompanhando este envelhecimento progressivo. O perfil médio de um comprador de HD, era um homem bem sucedido, com família constituída, na casa dos 45-50 anos.

Uma das grandes mudanças que observei nestes 23 anos de HD, foi principalmente no time que hoje é responsável pelo PDC (Product Development Center). Nos anos 90, os dois principais nomes por criar os modelos mais famosos e conhecidos eram, claro, o Willie G. Davidson e o seu braço direito que poucos o conhecem…. Louie Netz. A passagem de Willie G pelo departamento de estilo é muito bem conhecida e documentada….todos sabem que ele entrou na companhia e em 1963 foi cuidar do dept. de estilo….o que quase ninguém sabe, é que seu braço direito, Louis N. Netz (mais conhecido como Louie Netz) entrou na companhia 10 anos depois (1973) e deste então, até a sua aposentadoria e 2008 havia sido responsável pelo desenvolvimento das motos junto com Willie G. Das pranchetas deles sairam a Fat Boy, Heritage Classic, a Bad Boy, Heritage Springer dentre outros modelos muito significativos nos anos 90.

Willie G. e Louie Netz avaliando projetos

Willie G. e Louie Netz (de camisa preta & laranja) avaliando projetos

É notorio que desde 2006 temos observado uma grande mudança na tentativa de jovializar as motos e tentar torna-las mais atraentes aos mais diferentes públicos. Junto com esta mudança, houve uma grande reformulação do time que desenvolve produtos na HD. Poucos conhecem os nomes, mas muitos conhecem as suas criações…por exemplo:  Frank Savage e Rich Christoph (pais da Nightster), Casey Ketterhagen (pai da Blackline e da Slim), Ray Drea (pai da Forty Eight e atual substituto do Wilie G.), Kirk Rasmussen (pai da Cross Bones).

Só que para que isto acontecesse houve mudanças e ocasionou perda de algumas características que eram tradicionais das HD. Vamos mencionar algumas para que fique mais evidente, algo que provavelmente passou imperceptível aos olhos de muitos

O time responsável pela Blackline

O time responsável pela Blackline

O time responsável pela Forty Eight

O time responsável pela Forty Eight

Só que para que isto acontecesse houve mudanças e ocasionou perda de algumas características que eram tradicionais das HD. Vamos mencionar algumas para que fique mais evidente, algo que provavelmente passou imperceptível aos olhos de muitos

-As Dyna em 2006 sofreram alterações de chassis, e uma das principais alterações foi ganhar um garfo dianteiro mais largo de 49mm (o anterior era igual o das Sportster de 39 mm)…. com isso o eyebrow (o chapéu do farol) acabou por ser eliminado. Desde a década de 70, não se via uma FX (super glides e posteriormente Low Riders) sem o tradicional chapéu.

1998 FXD Dyna Super Glide

1998 FXD Dyna Super Glide

2005 - FXD Dyna Super Glide

2005 – FXD Dyna Super Glide

2006 - FXDI Dyna Super Glide

2006 – FXDI Dyna Super Glide

Veja o leitor com estas imagens, como com o tempo a Super Glide perdeu o guidão (buckhorn) para um estilo flat-track (parecido com o da 883R, porém cromado), para em 2006 ganhar um pullback. e além do motor novo, do chassi e a perda do “eyebrow”

– Com a mesma reformulação da Dyna, a Dyna Wide Glide teve uma ligeira mudança no formato do seu para-lama traseiro conhecido como bobtail…. ao invés do tradicional topete…. o paralamas ficou mais retilíneo perdendo o seu “topete”…. Sendo que no modelo vendido atualmente, mal lembra uma Wide Glide original

2005 FXDWG - Dyna Wide Glide

2005 FXDWG – Dyna Wide Glide

2006 FXDWGI Dyna Wide Glide

2006 FXDWGI Dyna Wide Glide

2015 - FXDWG Wide Glide

2015 – FXDWG Wide Glide

Em 2007 ocorreu algo fora do padrão dos lançamentos, que costumavam ocorrer sempre no Summer Dealer Meeting em Julho…. vimos surgir uma moto em Janeiro (no Winter Dealer Meeting)….que foi o primeiro modelo da linha que mais tarde recebeu o nome de Dark Custom…. a (Sportster) Nightster.  Junto com a Nightster vieram algumas mudanças que foram incorporadas em boa parte dos modelos lançados dali para frente

1- O paralamas cortado

2- A lanterna integrada aos piscas, num sistema conhecido como stop-turn taillight

3- Foi o primeiro (e único) modelo a ter um gray powder coat no motor.

Dos muitos modelos que seguiram o lançamento após, apresentam esta “modinha” do paralamas cortado e das lanternas integradas….Isso tem um appeal para o público jovem, mas foge um tanto do tradicional visual caracteristico de uma Harley. Em alguns mercados como México e Canadá, os modelos hoje oferecidos com o paralamas cortado não podem ser comercializados desta forma, sendo então oferecidos com o paralamas tradicional, que na minha opinião, fica muito melhor….veja foto da Iron 883, Seventy Two e Forty Eight desta forma, e opinem….

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Outra coisa que foi observada subsequente ao lançamento da Nightster foi a ausência de cromados nos modelos, e cada vez mais os modelos eram blacked out. Além disso, observamos a HD entrar em algumas modinhas de momento, as vezes um tanto atrasado…. o exemplo mais caracteristico disto é a Rocker, que foi um verdadeiro fracasso de vendas…. e a tendência das motos mais enxutas…como exemplo aqui a Blackline e a Softail Slim….

A linha da Softail que sempre foi caracterizada por um mix de motos de frente fina (FX) e motos de frente larga (FL) hoje é praticamente reduzida a motos de frente larga, visto que o único modelo que possui frente fina é a Breakout..que novamente é um modelo de nicho, e na minha opinião, mais bem acertado do que a Deuce, Rocker, Blackline…. mais ainda assim, carece de aspectos visuais que tornam uma “Softail de verdade”.

No meu entender, há espaço para a Softail Standard se manter em linha. Alguém pode argumentar, “esse ai está viajando…a Softail STD (que o marketing da Izzo a vendeu como Softail FX – post para outra ocasião) saiu de linha em 2008″….. o Argumento é verdadeiro…em partes…. Saiu de linha no mundo inteiro em 2008 exceto para um mercado específico…. Oceania…. Na Australia e Nova Zelândia é possível se comprar uma FXST Softail Standard 2015 em Vivid Black, Superior Blue ou Brilliant Silver…. Rumores dizem que esta moto é montada aqui e mandada para lá…nunca tive esta confirmação uma vez que as motos montadas aqui são apenas para consumo do mercado doméstico brasileiro…..Abaixo, a foto da Softail STD 2015.

2015 FXST Softail Standard

2015 FXST Softail Standard

Recentemente a HD resolveu trazer ao publico o que foi chamado de Project Rushmore, onde o intuito seria inovar as motocicletas a partir do input de informações trazidas dos consumidores.  Um bom resultado disto foi a reforma geral que passou a Linha Touring para 2014. Quem andava de Electra Glide reporta que as motos melhoraram de uma forma bem importante. Mas engana-se quem pensa que a HD não ouvia os consumidores antes….algumas das mudanças feitas ao longo dos anos veio em decorrência de pesquisas….alguns são selecionados a participarem e dizerem suas opinões sobre determinados atributos e cores que concordariam em uma motocicleta….algo como a Industria Automobilistica faz e que conhecemos sob o nome de “clínicas”. Destas pesquisas, vieram, por exemplo, a eliminação do tradicional guidão Buckhorn que tinha o visual tradicional HD, saiu também a reformulação do guidão da Fat Boy e da Road King, que para alguns era alvo de criticas, também validas ao Buckhorn, de colocar as mãos do piloto em uma posição considerada “não natural”. Outra mudança que veio de pesquisas de aceitação de mercado, foi a inclusão do pneu de 200mm na Fat Boy (havia inicialmente sido apresentado no modelo CVO) e para o restante das Softail.

2012 FLSTF Fat Boy

2011 FLSTF Fat Boy

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2012 FLSTF Fat Boy

Ao mesmo tempo, uma característica da moto, se perde (basta olhar a Fat Boy). Por outro lado, vemos a tendência da HD  buscar em seu passado inspiração para novos modelos ou atualizar modelos já existentes, um excelente exemplo disto é a Low Rider….vejam as fotos abaixo de um modelo de 1978 e o de 2014.

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Os lançamentos feitos recentemente, principalmente a Road Glide que incorporou os aspectos do Project Rushmore sem perder a sua característica original e o lançamento da Low Rider, mostram que a HD vai manter o seu tradicionalismo intacto e honrando o passado e casando-o com a modernidade.

Agora, fico curioso para saber exatamente, o que veremos pela frente….qual será o próximo grande lançamento que será feito.

Mas isso já é assunto para um novo post.

Abraços a todos!

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9 comentários sobre “O Futuro e o Passado – casando a tradição com a tecnologia

    • André,

      O problema principal que tirou a Springer de linha (além do tradicional custo de produção e a necessidade de manutenção constante) foi a questão do ABS….que não foi possível colocá-lo com o garfo (na minha modesta opinião, isso para mim é bla, bla, bla….)

      A HD tem por hábito de tirar modelos de linha para, em alguns anos, re-introduzi-los de forma modificada….então eu creio que num futuro breve veremos a Springer novamente

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  1. Vejo a HDMC bem mais ágil em termos de inovações após a aposentadoria do Willie G: o aproveitamento do motor Revolution em versões menores (Revolution X) para equipar as Street e o projeto livewire são mostras da busca de novos mercados para a montadora chegar aos 200 anos.

    Espero que a montadora mantenha os laços com a clientela fiel mantendo os modelos tradicionais ao lado dessas experiências: mudar tudo sem mudar nada há mais de 100 anos… hehehehehe.

    Abraço.

    Curtido por 1 pessoa

    • Concordo contigo que muita coisa se modificou após a aposentadoria do Willie G, porém ao mesmo tempo que a inovação deve andar de mãos dadas com o passado….não se deve perder a identidade que faz uma HD ser HD….

      a LIvewire, a V-Rod e a Street são motos que considero ser de nichos específicos… e que fogem sim a característica tradicional da HD.. o que é um chamariz para muitos (tradicionalismo)…embora a V-Rod seja um hot ticket aqui…não o é em outros mercados

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