O Fenômeno Gourmet & Motociclismo

*Disclaimer: Este post tem como objetivo mostrar algumas situações observadas por mim, não é a intenção de identificar ninguém ou causar qualquer ofensa, porém algumas pessoas podem se identificar com situações específicas descritas*

O fenômeno Gourmet é algo que está em todo o lugar…. hoje praticamente em todas as cidades existem food trucks vendendo os mais variados tipos de comidas… mas se pararmos para observar, em alguns casos, são comidas banais a preços caríssimos.

Todo mundo já teve uma experiência de food truck, mas quando isto não recebia este nome….afinal, quem nunca comeu um pastel de feira que era frito na frente de uma Kombi?? E com um preço honesto….

Mas este não é um blog de comida….e sim de motociclismo… A analogia aqui é a respeito do mercado de motos usadas.

Acompanho semanalmente as paginas de vendas de moto online como o Webmotors e o Moto.com.br.  Praticamente vejo todas as motos anunciadas e tenho observado algumas coisas bem específicas:

1. Existe uma super-valorização das motos da década de 90:  Hoje em dia vê-se algumas motos com motor Evolution dos anos 90 a venda, com um absurdo preço que muitas vezes chegam ao valor de um modelo 2015 zero km. Alguns argumentos podem ser colocados aqui….e vou separá-los e justifica-los.

1.1 – As Evo são motos clássicas e é o motor que mais diz “HD” do que o Twin Cam – Sim e não. As Evolution são de fato motos clássicas, e o motor tem o tradicional som HD que estamos acostumados a ouvir (o famigerado “potato, potato, potato”). O TC de fato, perde um pouco desta característica, mesmo os carburados…tanto que em 2007 quando o TC 96 foi lançado uma das coisas que foi mexida foi o som, para deixar mais característico.

Como clássicas, elas também tem todo o lado ruim de uma moto que tinha uma tecnologia adequada a época do seu lançamento. Afinal certas características são incomparáveis com motos modernas.

1.2 – O modelo é raro – Esse argumento é muito utilizado e poucas vezes se traduz na realidade. Na década de 90 quem era responsável por trazer as motos era o Grupo Izzo e bastava-se entrar em uma das lojas e encomendar o modelo….se estivesse no lote a vir e não estivesse vendido, ok…. caso contrário fazia-se uma encomenda formal e demorava-se meses para a moto aparecer. Naturalmente, neste caso, gosto é gosto e nem todo mundo vai preferir o mesmo modelo de moto…claro que existiam alguns mais populares que outros.

Apareceram muitas Softail por aqui, como Heritage Classic, Fat Boy…..porém a Springer Softail e Softail Custom eram casos a parte….já que o gosto local é mais por motos de frente larga (FL).

Do ponto de vista da família Dyna….o carro chefe era a Super Glide e em sequência a Dyna Wide Glide….pouquíssimas Dyna Low Rider e Dyna Convertible surgiram por aqui…

As Sportster…claramente a 883 STD e as 1200 Custom e Sport eram o principal do mix…. dificilmente encontrarmos (883 Hugger – ao qual discutirei sobre ela no futuro, 883 Deluxe e Sportster 1200 STD). Ainda em 1998 existiu, na linha Sportster uma situação curiosa…que eram as Sportster brancas….que nunca foi cor de produção regular para civis…porém existia modelos policiais que tinham esta cor…e sabe-se lá por que, algumas apareceram por aqui e eram vendidas sob o argumento de “pintamos da cor que você quiser e colocamos o emblema/decalque que você quiser”

No caso das Touring, a raridade do momento eram as Tour Glide e posteriormente as Road Glide.

1.3 – As edições limitadas – Aqui tem a pegadinha…. vir poucas unidades do modelo não é o mesmo que ser uma moto edição limitada….Neste caso, existe exemplos bem únicos. A Heritage Springer (que muitos erroneamente chamam de Old Boy – um nome não oficial) vieram pouquíssimas unidades….O mesmo pode ser dito sobre a Bad Boy que durante os 3 anos de produção (1995 a 1997) foram trazidas 3 motos de cada cor disponível por ano….mas eram modelos de produção regular. As edições limitadas da década de 90 foram na verdade a Dyna Glide Sturgis de 1991 (que nunca veio), a Dyna Daytona (que tem 2 no Br), as Anniversary Edition de 1993, as Heritage Nostalgia de 1993 a 1996 (que em 1994 passou a chamar Heritage Special) e as Anniversary Edition de 1998….. tirando estes…não houve outras edições limitadas.

1.4 – O estado geral – É muito difícil encontrar motos Evolution e até mesmo Sportster da década de 90 em bom estado de conservação….uma parcela enorme está mau cuidada, e muito descaracterizada….e muitos agregam o fato de estar próxima ao estado original ao preço. Vou citar 2 exemplos aqui: Eu não estou no mercado para comprar motos, mas eventualmente me interesso por uma ou outra, mais movido pelo senso de nostalgia do que outra coisa….afinal…andei de Dyna Super Glide e Wide Glide nos anos 90.

Uma destas Dyna que fez parte da minha vida está anunciada, por pasmem, 45 mil reais…. com esta grana tira-se da concessionária uma Dyna Low Rider 2015 com garantia (tá certo que garantia da HD não é lá essas coisas..) e as amenidades modernas (6a. marcha, ABS, etc)…. Argumentos a parte em termos de qualidade, concordo plenamente que a Dyna 98 tem qualidade superior do que uma 2015 em termos de cromados, por exemplo e outros acabamentos.

Vi esta mesma Dyna anunciada hoje por, pasmem, US$ 180 mil (o anuncio original falava em R$ 45 mil para venda e 50 mil para troca…

Alguém pode argumentar da seguinte forma: “Ah, mas o vendedor é livre para pedir quanto quiser….e compra quem quer” – Sim, isto é um fato absoluto….mas convenhamos, que o preço é irreal. Vi também uma Sportster 883 STD 1992, exatamente igual aquela que andei aos meus 10 anos de idade (não a mesma moto pois a placa era outra)….por irreais 18.500 reais.

2 – Os Argumentos para “valorizar” a moto: Aqui é um festival de argumentos que muitos acabam caindo no conto…. além da história das edições limitadas….outros 2 argumentos que vejo com frequência

“A última das carburadas/ a ultima carburada montada” – este aqui, ao menos que se tenha um documento próprio da HD, comprovando que aquele modelo foi a última moto equipada com carburador a ser montada pela HD….não dá para acreditar.

“O último ano das carburadas” – Em 2006 foi o último ano das Sportster com este sistema de alimentação….e em 2003 para as Softail (em 2003 foi oferecido tanto motos carburadas como EFI)…. já as Touring passaram a contar com EFI desde 1997 (Ultra Classic e a partir de 98 as Road King Classic).

3 – A tabela FIPE: A tabela da FIPE é usada para algumas situações específicas, como cotação de seguros e na hora de você dar o seu veículo em troca em uma concessionária.. Para as motos mais modernas, muitos dos preços acompanham razoavelmente os valores avaliados…. porém as motos mais antigas acontece um fenômeno… A FIPE avalia algumas motos com preços irrisoriamente baratos, em alguns casos, como o da Sportster 92 que eu citei, a FIPE cota como valendo R$ 9.160,00…. honestamente, neste valor, é melhor não vender a moto. Acredito que o veículo atinja um mínimo de desvalorização….mas também rege um certo bom senso…cobrar o valor equivalente a uma moto 2006 por uma moto de 1992 é outra coisa. Ou cobrar por uma motocicleta 1998 o preço de uma zero km…

Enfim, eventualmente, com muita paciência o vendedor encontra um comprador para a sua moto, disposto a pagar o valor ou com uma negociação aceitável…

Mas ainda assim, acredito que devemos valorizar o nosso bem pelo o que ele é….e não com argumentos que possam induzir o comprador ao erro (edições limitadas, por ex.) ou que possam mostrar um certo ganho de vantagem sem comprovações (“a ultima carburada montada”) “

To each, its own” (parafraseando….cada um na sua…).

Abraços a todos!

Cores…Cores….

Estou programando um post mais completo a respeito das cores….afinal muitos frequentemente me perguntam a respeito de nomes das cores….mas na verdade, isto vai muito além de simples nomes esquisitos….

Mas o objetivo agora é fazer um comparativo no mínimo curioso…. Todos lembram da cor comemorativa que adornou alguns modelos da linha 2008, que era chamado de Anniversary Cooper Pearl & Vivid Black.

Algumas pessoas pagaram até caro, para ter um modelo numerado como edição limitada…. e não é que curiosamente estava avaliando as cores de 2015 para escrever o post que vi isto aqui….

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Na esquerda é uma Fat Boy 2008 Anniversary Edition…enquanto a da direita….um modelo 2015 em Amber Whiskey & Vivid Black….

Pois bem… Acho que o responsável por selecionar as cores., esqueceu do detalhe da “exclusividade” da cores de aniversário…e hoje em dia, com a facilidade de se obter peças restritas no Ebay (tal como os emblemas)…. pode ter gente caindo no conto da “edição de aniversário”…..

Vale o alerta que as Anniversary Edition tem um VIN que as identificam como tal…. é ficar esperto….

Abraços a todos!

O Futuro e o Passado – casando a tradição com a tecnologia

Na verdade, a ideia deste texto é dar um update num texto originalmente escrito em 2012…. se alguém quiser ler o texto de 2012 me avisem, que o publico novamente aqui.

Uma das grandes questões que muitos falam quando mencionam o nome HD é a respeito de tradição. De fato, por ter os seus 112 anos, há muito legado em seu passado que pode e deve ser aproveitado, mas ao mesmo tempo a companhia, como negócio, deve evoluir para poder atrair novos clientes. Isto sempre foi uma preocupação corrente, uma vez que no final da década de 90 a parcela de compradores de HD estava envelhecendo e a entrada de novos clientes não estava acompanhando este envelhecimento progressivo. O perfil médio de um comprador de HD, era um homem bem sucedido, com família constituída, na casa dos 45-50 anos.

Uma das grandes mudanças que observei nestes 23 anos de HD, foi principalmente no time que hoje é responsável pelo PDC (Product Development Center). Nos anos 90, os dois principais nomes por criar os modelos mais famosos e conhecidos eram, claro, o Willie G. Davidson e o seu braço direito que poucos o conhecem…. Louie Netz. A passagem de Willie G pelo departamento de estilo é muito bem conhecida e documentada….todos sabem que ele entrou na companhia e em 1963 foi cuidar do dept. de estilo….o que quase ninguém sabe, é que seu braço direito, Louis N. Netz (mais conhecido como Louie Netz) entrou na companhia 10 anos depois (1973) e deste então, até a sua aposentadoria e 2008 havia sido responsável pelo desenvolvimento das motos junto com Willie G. Das pranchetas deles sairam a Fat Boy, Heritage Classic, a Bad Boy, Heritage Springer dentre outros modelos muito significativos nos anos 90.

Willie G. e Louie Netz avaliando projetos

Willie G. e Louie Netz (de camisa preta & laranja) avaliando projetos

É notorio que desde 2006 temos observado uma grande mudança na tentativa de jovializar as motos e tentar torna-las mais atraentes aos mais diferentes públicos. Junto com esta mudança, houve uma grande reformulação do time que desenvolve produtos na HD. Poucos conhecem os nomes, mas muitos conhecem as suas criações…por exemplo:  Frank Savage e Rich Christoph (pais da Nightster), Casey Ketterhagen (pai da Blackline e da Slim), Ray Drea (pai da Forty Eight e atual substituto do Wilie G.), Kirk Rasmussen (pai da Cross Bones).

Só que para que isto acontecesse houve mudanças e ocasionou perda de algumas características que eram tradicionais das HD. Vamos mencionar algumas para que fique mais evidente, algo que provavelmente passou imperceptível aos olhos de muitos

O time responsável pela Blackline

O time responsável pela Blackline

O time responsável pela Forty Eight

O time responsável pela Forty Eight

Só que para que isto acontecesse houve mudanças e ocasionou perda de algumas características que eram tradicionais das HD. Vamos mencionar algumas para que fique mais evidente, algo que provavelmente passou imperceptível aos olhos de muitos

-As Dyna em 2006 sofreram alterações de chassis, e uma das principais alterações foi ganhar um garfo dianteiro mais largo de 49mm (o anterior era igual o das Sportster de 39 mm)…. com isso o eyebrow (o chapéu do farol) acabou por ser eliminado. Desde a década de 70, não se via uma FX (super glides e posteriormente Low Riders) sem o tradicional chapéu.

1998 FXD Dyna Super Glide

1998 FXD Dyna Super Glide

2005 - FXD Dyna Super Glide

2005 – FXD Dyna Super Glide

2006 - FXDI Dyna Super Glide

2006 – FXDI Dyna Super Glide

Veja o leitor com estas imagens, como com o tempo a Super Glide perdeu o guidão (buckhorn) para um estilo flat-track (parecido com o da 883R, porém cromado), para em 2006 ganhar um pullback. e além do motor novo, do chassi e a perda do “eyebrow”

– Com a mesma reformulação da Dyna, a Dyna Wide Glide teve uma ligeira mudança no formato do seu para-lama traseiro conhecido como bobtail…. ao invés do tradicional topete…. o paralamas ficou mais retilíneo perdendo o seu “topete”…. Sendo que no modelo vendido atualmente, mal lembra uma Wide Glide original

2005 FXDWG - Dyna Wide Glide

2005 FXDWG – Dyna Wide Glide

2006 FXDWGI Dyna Wide Glide

2006 FXDWGI Dyna Wide Glide

2015 - FXDWG Wide Glide

2015 – FXDWG Wide Glide

Em 2007 ocorreu algo fora do padrão dos lançamentos, que costumavam ocorrer sempre no Summer Dealer Meeting em Julho…. vimos surgir uma moto em Janeiro (no Winter Dealer Meeting)….que foi o primeiro modelo da linha que mais tarde recebeu o nome de Dark Custom…. a (Sportster) Nightster.  Junto com a Nightster vieram algumas mudanças que foram incorporadas em boa parte dos modelos lançados dali para frente

1- O paralamas cortado

2- A lanterna integrada aos piscas, num sistema conhecido como stop-turn taillight

3- Foi o primeiro (e único) modelo a ter um gray powder coat no motor.

Dos muitos modelos que seguiram o lançamento após, apresentam esta “modinha” do paralamas cortado e das lanternas integradas….Isso tem um appeal para o público jovem, mas foge um tanto do tradicional visual caracteristico de uma Harley. Em alguns mercados como México e Canadá, os modelos hoje oferecidos com o paralamas cortado não podem ser comercializados desta forma, sendo então oferecidos com o paralamas tradicional, que na minha opinião, fica muito melhor….veja foto da Iron 883, Seventy Two e Forty Eight desta forma, e opinem….

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Outra coisa que foi observada subsequente ao lançamento da Nightster foi a ausência de cromados nos modelos, e cada vez mais os modelos eram blacked out. Além disso, observamos a HD entrar em algumas modinhas de momento, as vezes um tanto atrasado…. o exemplo mais caracteristico disto é a Rocker, que foi um verdadeiro fracasso de vendas…. e a tendência das motos mais enxutas…como exemplo aqui a Blackline e a Softail Slim….

A linha da Softail que sempre foi caracterizada por um mix de motos de frente fina (FX) e motos de frente larga (FL) hoje é praticamente reduzida a motos de frente larga, visto que o único modelo que possui frente fina é a Breakout..que novamente é um modelo de nicho, e na minha opinião, mais bem acertado do que a Deuce, Rocker, Blackline…. mais ainda assim, carece de aspectos visuais que tornam uma “Softail de verdade”.

No meu entender, há espaço para a Softail Standard se manter em linha. Alguém pode argumentar, “esse ai está viajando…a Softail STD (que o marketing da Izzo a vendeu como Softail FX – post para outra ocasião) saiu de linha em 2008″….. o Argumento é verdadeiro…em partes…. Saiu de linha no mundo inteiro em 2008 exceto para um mercado específico…. Oceania…. Na Australia e Nova Zelândia é possível se comprar uma FXST Softail Standard 2015 em Vivid Black, Superior Blue ou Brilliant Silver…. Rumores dizem que esta moto é montada aqui e mandada para lá…nunca tive esta confirmação uma vez que as motos montadas aqui são apenas para consumo do mercado doméstico brasileiro…..Abaixo, a foto da Softail STD 2015.

2015 FXST Softail Standard

2015 FXST Softail Standard

Recentemente a HD resolveu trazer ao publico o que foi chamado de Project Rushmore, onde o intuito seria inovar as motocicletas a partir do input de informações trazidas dos consumidores.  Um bom resultado disto foi a reforma geral que passou a Linha Touring para 2014. Quem andava de Electra Glide reporta que as motos melhoraram de uma forma bem importante. Mas engana-se quem pensa que a HD não ouvia os consumidores antes….algumas das mudanças feitas ao longo dos anos veio em decorrência de pesquisas….alguns são selecionados a participarem e dizerem suas opinões sobre determinados atributos e cores que concordariam em uma motocicleta….algo como a Industria Automobilistica faz e que conhecemos sob o nome de “clínicas”. Destas pesquisas, vieram, por exemplo, a eliminação do tradicional guidão Buckhorn que tinha o visual tradicional HD, saiu também a reformulação do guidão da Fat Boy e da Road King, que para alguns era alvo de criticas, também validas ao Buckhorn, de colocar as mãos do piloto em uma posição considerada “não natural”. Outra mudança que veio de pesquisas de aceitação de mercado, foi a inclusão do pneu de 200mm na Fat Boy (havia inicialmente sido apresentado no modelo CVO) e para o restante das Softail.

2012 FLSTF Fat Boy

2011 FLSTF Fat Boy

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2012 FLSTF Fat Boy

Ao mesmo tempo, uma característica da moto, se perde (basta olhar a Fat Boy). Por outro lado, vemos a tendência da HD  buscar em seu passado inspiração para novos modelos ou atualizar modelos já existentes, um excelente exemplo disto é a Low Rider….vejam as fotos abaixo de um modelo de 1978 e o de 2014.

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Os lançamentos feitos recentemente, principalmente a Road Glide que incorporou os aspectos do Project Rushmore sem perder a sua característica original e o lançamento da Low Rider, mostram que a HD vai manter o seu tradicionalismo intacto e honrando o passado e casando-o com a modernidade.

Agora, fico curioso para saber exatamente, o que veremos pela frente….qual será o próximo grande lançamento que será feito.

Mas isso já é assunto para um novo post.

Abraços a todos!

Curiosidades da Indian

Primeiramente, Gostaria de agradecer a todos os leitores que visitaram e curtiram o primeiro Post…. isso me estimula ainda mais a escrever sobre algo que eu gosto.

Fiquei impressionado com o numero de pessoas que não conheciam a história moderna da Indian e resolvi escrever este pequeno post mostrando algumas imagens e curiosidades. As imagens apresentadas aqui são todas provenientes de catálogos da Indian e material de imprensa….

Comecemos….. Para ilustrarmos, vamos primeiro mostrar uma Chief com o motor S&S

2001 Indian Chief (Gilroy Era)

2001 Indian Chief (Gilroy Era)

Esta Chief era modelo 2001, considerada um modelo “centenário” uma vez que a Indian fora fundada de 1901. Veja o leitor que é um motor S&S tradicional  que lembra e muito um motor HD

Além da Chief, foram produzidos também a Scout e Spirit com a mesma motorização e nas variações Standard e Deluxe

2001 Indian Scout (Gilroy Era)

2001 Indian Scout (Gilroy Era)

A Scout, era para ser uma resposta, por assim dizer, a linha Softail da HD,  aqui mostrada uma Scout STD

2002 Indian Spirit Deluxe

2002 Indian Spirit Deluxe

Aqui vemos uma Spirit Deluxe, que se diferenciava da versão standard pelo banco com mais espuma e a pintura dois tons, além do pneu faixa branca….

2002 Chief Standard

2002 Chief Standard

Ainda em 2002, a Indian da época de Gilroy começou a tentar se diferenciar com um motor “proprietário” que seria o Powerplus, sendo apresentado na linha Chief (Standard e Deluxe) e inicialmente tinha 100 polegadas cúbicas

Quando a Indian foi adquirida pelo pessoal da Stellican, eles continuaram com o Powerplus porém aumentaram-no para 105 polegadas cúbicas, melhoraram a qualidade e passaram a introduzir alguns diferenciais….uma delas, era a opção de se ter uma Chief com o para-lamas curto (Sem as coberturas laterais) e o para-lamas cheio (com as coberturas laterais)

2009 Chief Standard com a opção do paralamas curto

2009 Chief Standard 

Aqui vemos uma Chief Standard com a opção do para-lamas curto, que muitos desconheciam existir

Além de ter estas opções, o pessoal da era de Kings Mountain preferiu investir majoritariamente no modelo Chief, tirando de linha a antiga Scout e Spirit….e em 2010 mostraram 2 novas variações….a Chief Bomber e a Dark Horse…

Opções de cor da Chief Dark Horse para 2010

Opções de cor da Chief Dark Horse para 2010

Curiosamente, a Dark Horse de 2010 tinha outras opções de cor fosca que não o preto….veja o leitor…um vermelho fosco e um azul fosco.

2010 Chief Bomber

2010 Chief Bomber

A Bomber, por sua vez, homenageava os aviões bombardeiros de guerra e tinha este verde fosco e um prata fosco como opção

Em 2011, tentando surfar no modismo das Power Cruisers…a Indian lançou a Chief Blackhawk

2011 Chief Blackhawk

2011 Chief Blackhawk

Esta Blackhawk só se diferenciava da Chief tradicional pela pintura e detalhes estéticos, mecanicamente era o mesmo Powerplus 105.

Linha de Montagem em Kings Mountain, NC

Linha de Montagem em Kings Mountain, NC

Eis a principal razão de uma Indian da era de Kings Mountain custar o preço de uma CVO….era montada praticamente de maneira artesanal….

Queria mostrar a todos estas imagens e curiosidades, que talvez muitos não conheciam….

Um abraço a todos!!

Indian Chief Dark Horse….e um breve relato da era moderna da Indian

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Havia planejado um outro primeiro post específico, porém, dado a novidade que foi lançada no dia 13/02 nada mais justo do que discorrer um pouco sobre o assunto: 2016 Indian Chief Dark Horse.

Tenho visto muitos comentários, até de uma certa forma radicais, no facebook…sempre levantando alguns aspectos

  1. As Indian são muito caras….e a competitividade delas com a HD vai depender do preço
  2. as motos têm a qualidade muito ruim.

Vamos então desmistificar algumas coisas, com um breve relato da história moderna da Indian…. na segunda metade da década de 90 estava havendo um grande revival de marcas de motocicletas que já não existiam mais….houve tentativa de reviver a Norton e talvez, a que muitos lembrem seja a história da Excelsior-Henderson (assunto para um outro post).

A Indian não podia ficar de fora, porém ninguém nunca havia conseguido revive-la de forma bem sucedida até então devido a problemas de direitos em relação a marca, seus logos e propriedade intelectual, que estavam fragmentados em diversos donos e empresas.

Com muita dificuldade, um grupo conseguiu reunir e resolver o imbróglio judicial e foi criada a Indian Motorcycle Company of America – Gilroy em 1999.

A operação californiana, de inicio nada mais era do que um clone de HD (como muitos que já existiam a época….de exemplo temos as Big Dog, Phoenix Motorcycle, entre outras)….era uma motocicleta que continha o logo e detalhes tradicionais da Indian, como paralamas, adorno do índio no paralama e etc, porém, o motor era um S&S cuja base era um Evolution.
Assim foi com a Chief, Spirit e a Scout… Inevitavelmente a companhia foi a falência em 2003 e liquidou todo o maquinário.

Em 2006, um grupo chamado Stellican, que é famoso por reviver marcas mortas, e o case de maior sucesso deles é a companhia de barcos Chris Craft…comprou os direitos da finada companhia de Gilroy e iniciou uma nova linha de produção…desta vez na Carolina do Norte…numa cidade chamada de Kings Mountain.

As Indian de Kings Mountain eram motocicletas muito superiores quando comparadas com as de Gilroy, e produzidas de forma quase que artesanal…o que ocasionava um preço muito caro…mesmo quando comparado com as HD….uma Indian custava o valor equivalente a uma CVO (35 mil dólares).

O pessoal da Stellican investiu majoritariamente no modelo Chief e suas variações e “criou” o motor PowerPlus 105.
Nesta época não havia tantos problemas de qualidade, mas talvez o maior entrave para a popularização das Indian era o seu preço.

Em 2011 entra na jogada a Polaris que comprou da Stellican a Indian e mudou a produção para Spirit Lake, onde até 2013 ainda produzia Chief’s com o mesmo visual anterior…..durante o ano de 2013 apresentou o motor ThunderStroke 111, sendo o primeiro motor proprietário Indian e desenvolveu praticamente do zero as novas motocicletas Chief (Classic, Vintage) e Chieftain.

A Polaris, que já contava com um certo know-how do mundo de motocicletas, graças a terem criado a Victory (assunto também para outro post)….tratou de expandir e continua expandindo a rede de concessionários….Na sua próxima viagem aos EUA, de curiosidade procure uma revenda Indian que você provavelmente irá achar….. Tratou de criar uma linha exclusiva de roupas de qualidade superior e investiu nos acessórios.

O mais importante….por não ser produzida artesanalmente, mas sim em linha de produção, a Polaris conseguiu trazer o preço das Indian para um patamar de briga com as Harley….

A título de comparação de valores para linha 2015:

Scout: US$ 10.999  vs  HD Sportster 1200 Custom 10.649

Chief Classic: US$ 18.999  vs  HD Fat Boy 17.699

Chief Vintage: US$ 20.999  vs  HD Road King 18.449

Chieftain: US$ 22.999  vs  HD Street Glide Special 22.899

Roadmaster: US$ 26.999  vs HD Ultra Limited 26.099  (e se for a Ultra Limited Low o preço é o mesmo da Indian)

Veja o leitor que os valores diferem muito pouco tornando as motos competitivas….

A Chief Dark Horse

2016 Indian Chief Dark Horse

2016 Indian Chief Dark Horse


Hoje, praticamente todo fabricante de moto cruiser (no Brasil conhecida como custom) tem em linha modelos “Dark”…. a HD tem a sua linha Dark Custom, a Kawasaki tem a sua Vulcan 900 toda preta, a Suzuki tem a Boulevard BOSS.

A Indian, durante o período de Kings Mountain lançou duas variações da Chief….a Chief Bomber que homenageava os aviões bombardeiros de guerra e a Chief Dark Horse, que nada mais era que uma versão “blacked out” da Chief Classic.

Como de janeiro a março é a época tradicional de introdução de modelos mid-year, a Indian logo apressou-se para fazer o Dark Horse Challenge que foi um passeio pela cidade de Chicago, onde na última sexta, apresentou ao público a nova Chief Dark Horse.

Trata-se, como dito antes, uma versão ‘blacked-out” da Chief Classic com a premissa de ser mais agressiva e já lançada com opções de acessórios para customização…como guidão Ape Hanger de 16’, filtro big sucker e escape mais livre.

2016 Indian Chief Dark Horse com acessórios

2016 Indian Chief Dark Horse com acessórios


2016 Indian Chief Dark Horse com acessórios

2016 Indian Chief Dark Horse com acessórios

Tem tudo para vender bem….para mim, é uma motocicleta muito bonita, bem acabada e com um visual agressivo e o preço nos EUA, mais uma vez…competitivo

Chief Dark Horse US$ 16.999  vs  Fat Boy LO (Special) 17.499

Vamos ver como será a recepção do mercado…e torcendo para vermos a Polaris Brasil iniciar as operações da Indian aqui em breve!

Primeiro Post – Uma breve apresentação

Muitos me conhecem virtualmente e alguns poucos pessoalmente, porém acredito que como primeira postagem é sempre valido uma apresentação….

Tenho 32 anos, sou médico oncologista por formação e entusiasta de HD desde 1992, quando andei pela primeira vez aos 10 anos. Desde então, meu vínculo com a Harley foi ficando cada vez mais forte.

As pessoas brincam que tenho um vasto conhecimento sobre o assunto, porém isso é uma opinião de cada um…a verdade é que devo humildemente dizer que nem eu e provavelmente ninguém dentro do mundo HD (até mesmo o Willie G.) detém um conhecimento completo sobre todos os espectros da Harley…seja como companhia, como hobby, como mecânico ou um grande conhecedor técnico.

A idéia do blog não é ser “mais um blog” sobre HD….afinal de contas, existem blogs que destrincham o assunto HD com uma qualidade excepcional e cito o blog do Wilson Roque (wilsonroque.blogspot.com.br) e o do Adelino, A.K.A Wolfmann (wolfmann-hd.blogbspot.com.br) além do old dog cycles. Estes citados agregam informações importantes e na grande maioria das vezes, em tempo real….se você não segue, vale a pena colocá-los no bookmark do seu browser.

Já havia escrito anteriormente, talvez alguns tenham lido textos meus pela web, porém apenas agora tive a vontade de ter um espaço meu….mas a idéia original se mantém….ser um blog onde quero discutir sobre lançamentos, tradições, dúvidas que as pessoas possam ter….e claro, sempre que possível, mostrar algumas novidades um pouco antes da hora (cores, modelos e alterações sempre do proximo model-year). Outro local onde você deve ter visto meu nome são em contribuições com informações para os blogs mencionados antes.

O espaço é democrático e refletirá a minha opinião sobre determinado tema, e devo clarificar que apesar de tudo, não tenho qualquer vínculo empregatício com a HD, Indian, Polaris Group ou outra eventual empresa que poderei citar….lembrando que trata-se de opinião e experiência pessoal….

em breve nos falaremos mais!

Abraços a todos!